O BANCO DOS PRAZERES
O Flavinho era só meu colega de banco. Papo maneiro, mas zero intimidade. Mal sabia o otário que o esquema nos fundos da agência ficava sinistro na calada da noite. Bastava o banco fechar para a irmã dele pintar na penumbra. Era o nosso ponto de encontro sagrado. Ali, no escurinho atrás do muro, o clima esquentava em dois tempos. A adrenalina de a gente ser pego só deixava a parada mais excitante, puro tesão. Quando ela jogava os braços no meu pescoço, o vestido — que ela já escolhia curto de propósito — subia direto, deixando as coxas totalmente expostas, coladas na minha pele. Era uma pegada forte, urgente, que consumia a gente ali mesmo, de pé, espremidos contra a parede. Sem ter como se limpar na hora, ela só dava aquela ajeitada rápida no visual e saía com o nosso desejo escorrendo perna abaixo, direto para dentro do tênis. No dia seguinte, a cena era digna de um filme. Ela aparecia no banco com um ar de inocência, toda gentil, sob o pretexto de visitar o irmão.
O Flavinho, orgulhoso e sem suspeitar de nada, abria um grande sorriso para atender a "joia da família" com toda a atenção do mundo. Ninguém dizia uma palavra. Mantinha-se a neutralidade enquanto ela conversava com o irmão os nossos olhares se cruzavam.
Era um pacto silencioso, uma promessa de que, assim que o sol se pusesse, o encontro atrás daquele muro se repetiria, alimentando o segredo que só nós dois compartilhávamos.
(silvioafonso)
Era um pacto silencioso, uma promessa de que, assim que o sol se pusesse, o encontro atrás daquele muro se repetiria, alimentando o segredo que só nós dois compartilhávamos.
(silvioafonso)
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