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Mostrando postagens de maio, 2026

O ALÍVIO DE UMA MENTIRA

      Toda sexta-feira à noite a rotina era a mesma: jogava o tênis, os meiões e o calção na mala do carro e partia para o clube, onde reservara um apartamento para o fim de semana.      O futebol dos sábados e domingos era sua paixão, até perceber que, enquanto os homens corriam atrás da bola, suas belas esposas se banhavam ao sol.      Com o tempo, a aproximação foi inevitável.— Cornélio, querido, este é o Tião Tripé. Vocês se conhecem do futebol, não é? — perguntou ela, que vestia um biquíni minúsculo, direcionando-se ao marido.      Cornélio estendeu a mão, reclamando dos desfalques do Tripé nos últimos jogos. Tião deu uma desculpa esfarrapada qualquer e foram os três almoçar.      Em menos de um mês, a intimidade era tanta que Tripé ganhou passe livre para visitá-los quando quisesse.      Hamásia era magrinha, de pernas grossas e seios pequenos. Não chamaria a atenção de quem procura fartura, ...

MOTORISTA DE APLICATIVO

    Filho de um casamento desfeito, César Coelho cresceu introspectivo devido a uma surdez incurável.       Preso ao aparelho auditivo, focou a vida no trabalho como motorista de aplicativo. Numa noite chuvosa, um homem de capa bateu ao seu portão exigindo uma corrida intermunicipal. César gritou o preço pela janela; o cliente achou um roubo e o xingou. O motorista apenas fechou a vidraça e voltou a dormir.      Na manhã seguinte, ao abrir a garagem, César foi surpreendido pelo agressor armado. Brigaram e o homem atirou. César acordou cinco dias depois no hospital, amparado pela mãe e pressionado por um detetive. O atirador já estava preso, aguardando apenas o depoimento da vítima.       A sós no quarto, César recebeu a esposa do criminoso que não era mulher de se jogar fora. Ela ofereceu cinco mil reais para ele registrar o caso como acidente. Movido por vingança, ele contrapropôs: "Seu marido quis me matar. Só aceito se você ...

O BANCO DOS PRAZERES

       O Flavinho era só meu colega de banco. Papo maneiro, mas zero intimidade. Mal sabia o otário que o esquema nos fundos da agência ficava sinistro na calada da noite. Bastava o banco fechar para a irmã dele pintar na penumbra. Era o nosso ponto de encontro sagrado. Ali, no escurinho atrás do muro, o clima esquentava em dois tempos. A adrenalina de a gente ser pego só deixava a parada mais excitante, puro tesão. Quando ela jogava os braços no meu pescoço, o vestido — que ela já escolhia curto de propósito — subia direto, deixando as coxas totalmente expostas, coladas na minha pele. Era uma pegada forte, urgente, que consumia a gente ali mesmo, de pé, espremidos contra a parede. Sem ter como se limpar na hora, ela só dava aquela ajeitada rápida no visual e saía com o nosso desejo escorrendo perna abaixo, direto para dentro do tênis. No dia seguinte, a cena era digna de um filme. Ela aparecia no banco com um ar de inocência, toda gentil, sob o pretexto de visitar o...

O INTERCÂMBIO

        Para um jovem de 17 anos morando com os pais, nada superava a rotina a não ser hospedar estrangeiras que vinham fazer intercâmbio.      Quando eu via minha mãe na arrumação do quarto de hóspedes, já sabia que vinha gente nova no pedaço. Eu só torcia para ser bonita. Das três últimas que passaram por ali, duas me fizeram muito feliz. A outra... bom, ela até dava mole, mas não tinha graça nenhuma. O pior era quando o lance não dava certo, porque eu tinha que aguentar a garota desfilando pela casa por dois anos, rindo na minha cara, sem que eu pudesse abrir a boca para dizer nada.      O mais engraçado é que as que me davam prazer eram justamente as mais protegidas. Elas se cuidavam, mas eu nunca vacilava: camisinha sempre.      A Noely foi a que passou mais tempo conosco. Com ela, eu tinha o que queria, a hora que queria. Ela nunca reclamou de me ver com outras e, mesmo se eu chegasse tarde de um encontro, a cama del...

O PÉ DO SUCUPIRA

        Não se sabe por que a tia tratava o sobrinho do seu marido melhor do que as irmãs dele. Das iguarias caseiras, o pedaço maior era dele; o copo de refresco, o mais cheio. Zezinho de Sucupira, como o pai o chamava, era um jovem quieto e grande demais para a idade — isso sem falar no tamanho do pé da criatura.      Tia Bucelda vivia para agradá-lo como se fora seu próprio filho, o que o rapaz adorava. Gostava dos carinhos da parente, principalmente quando ela "errava" o alvo e tocava os lábios dele com os seus. Assanhada, pedia desculpas e limpava o batom do rosto do rapaz com a barra da saia. Aí é que o garoto enlouquecia pois, ao erguer o tecido, ela acabava revelando o que qualquer um na idade dele ansiava ver. Sempre que o episódio se repetia, ele passava a noite em claro. Não tinha cristão que conciliasse o sono testemunhando o que a mulher mostrava. Já a dona da casa não se importava: instigava-o sempre que podia. — Com um pé desse tamanho, ...