O INTERCÂMBIO

       Para um jovem de 17 anos morando com os pais, nada superava a rotina a não ser hospedar estrangeiras que vinham fazer intercâmbio.
     Quando eu via minha mãe na arrumação do quarto de hóspedes, já sabia que vinha gente nova no pedaço. Eu só torcia para ser bonita. Das três últimas que passaram por ali, duas me fizeram muito feliz. A outra... bom, ela até dava mole, mas não tinha graça nenhuma. O pior era quando o lance não dava certo, porque eu tinha que aguentar a garota desfilando pela casa por dois anos, rindo na minha cara, sem que eu pudesse abrir a boca para dizer nada.
     O mais engraçado é que as que me davam prazer eram justamente as mais protegidas. Elas se cuidavam, mas eu nunca vacilava: camisinha sempre.
     A Noely foi a que passou mais tempo conosco. Com ela, eu tinha o que queria, a hora que queria. Ela nunca reclamou de me ver com outras e, mesmo se eu chegasse tarde de um encontro, a cama dela estava sempre aberta para mim. Noely apenas sorria, cúmplice e insaciável.  Até que os pais dela vieram de visita. Minha mãe deu um jeito na acomodação, e eu nem quis saber dos detalhes. Naquela noite, assumindo que os coroas estivessem em um dos quartos do andar de cima, decidi me refugiar no quarto da filha. Cheguei de madrugada, no sapatinho, guiado pelo desejo. Enfiei-me sob as cobertas na mais completa escuridão. Como de costume, comecei beijando seu pescoço, sentindo o calor da pele. Minhas mãos deslizaram pelos seios firmes, acariciaram a barriga e desceram para além do umbigo, explorando cada centímetro de intimidade. Notei que ela emitia um som mais abafado, uma respiração pesada, bem diferente do habitual. Mas aquilo só me acendeu mais.
      Meu Deus, que noite insana! 
      Além daqueles sussurros sufocados, ninguém disse uma única palavra. Foi um jogo puramente carnal: o serpentear dos corpos suados sob os lençóis, o ritmo frenético e, finalmente, aquele silêncio exausto e delicioso de depois.
     Na manhã seguinte, a mesa do café estava cheia. Todos conversavam sobre amenidades que não me interessavam. Meu único pensamento era encarar minha amiga. Eu precisava descobrir como, de um momento para o outro, ela havia aprendido a fazer aquelas loucuras na cama.
    Gente, eu nunca tinha gozado tanto na minha vida — e olha que o sexo com ela já era o dobro do melhor que eu já tivera.
     Mas o que aconteceu ontem foi sobrenatural.
    De repente o clima quebrou. Noely, sem maldade nenhuma, olhou para a mãe e perguntou:
— Mãe, você gostou de dormir na minha cama ontem à noite?
Em seguida, virou-se para o pai:
— E o senhor, papai? Conseguiu dormir bem longe da sua mulher?
   O silêncio congelou a sala. Todos se olharam, até que a mulher, com um sorriso sem graça, respondeu que sim, que tinha gostado muito. 
    Naquele instante, o sangue sumiu completamente da minha cara.
   Levantei-me e saí de fininho, com o coração na boca: eu tinha comido a mãe da intercambista!
(silvioafonso)


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